Sete obras da Zipper Galeria para conferir na SP-Arte 2025

Conheça obras de Geraldo de Barros, Leonilson, Mira Schendel, Nelson Leirner, OSGEMEOS, Carlos Cruz Díez e José Patrício
April 4, 2025
Sete obras da Zipper Galeria para conferir na SP-Arte 2025

 

A Zipper marca presença na 21ª edição da SP–Arte com uma proposta inédita na história de participações da galeria no evento: dois estandes no Pavilhão da Bienal, sendo um deles dedicado ao mercado secundário. De 2 a 6 de abril de 2025, a feira, que é uma das mais relevantes da América Latina, reúne cerca de 200 expositores, entre galerias de arte, estúdios de design, instituições culturais e editoras.

No primeiro andar, no estande C8, a galeria apresenta obras de diferentes momentos da arte brasileira, provenientes de acervos e coleções privadas. Já no segundo andar, no estande F9, o foco recai sobre produções recentes dos artistas representados pela galeria. 

 

Conheça um pouco mais sobre sete das obras apresentadas no novo estande de mercado secundário da Zipper. 

 

Conteúdo do artigo:

 

 

Geraldo de Barros, Sem Título, 1990

Rigor formal, composições racionais e contrastes cromáticos são algumas das características que marcam a pesquisa de Geraldo de Barros (1923-1998), um dos maiores nomes da Arte Concreta no Brasil, que participou ativamente do Grupo Ruptura, que defendia uma arte geométrica e objetiva. Nesta obra de 1990, o artista faz uso da repetição de quadrados concêntricos para criar um jogo óptico. Apesar da obra dispensar a distinção entre figura e fundo, o contraste entre os tons escuros e a progressão dos quadrados em direção ao centro gera uma ilusão de profundidade e movimento, se aproximando visualmente de pesquisas do movimento estadunidense de Op Art. 

 

Leonilson, Dois Jovens Com a Cabeça Fora da Terra, 1986

Tendo sido um dos destaques da programação anual no MASP em 2024, com uma grande e elogiosa individual no segundo semestre do museu paulista, Leonilson (1957-1993) foi um artista que soube fazer da sua sensibilidade particular um espelho coletivo para tratar de questões existencialistas. 

 

A pintura “Dois Jovens Com a Cabeça Fora da Terra” foi elaborada em um momento em que Leonilson esteve fortemente associado à chamada Geração 80, um grupo que buscava renovar a cena artística nacional após o período de repressão da ditadura militar, propondo uma linguagem mais livre e subjetiva, principalmente para a pintura. Nesse sentido, a ideia de “cabeça fora da Terra” pode ser interpretada sob a perspectiva de deslocamento, da busca por algo além do mundo material ou como uma alusão à alienação – temas frequentemente tratados no corpo de obra do artista. 

 

As 35 perfurações circulares que atravessam a tela são distribuídas pelo fundo da composição e tem suas circunferências evidenciadas por pinceladas mais claras. O recurso expressivo adiciona fisicalidade à pintura – podendo, inclusive, abraçar novas cores e elementos à composição dependendo da parede sobre a qual é exposta – e pode representar estrelas e outros corpos celestes. 

Em 2023, a obra integrou a exposição “Leonilson e a Geração 80” na Pinakotheke Cultural, no Rio de Janeiro, que homenageou os 30 anos de falecimento do artista, com 35 obras emblemáticas de Leonilson.

 

Mira Schendel, Sem título, 1983

Mira Schendel (1919-1988) teve pouco a pouco seu conhecimento consolidado como um dos grandes nomes da arte moderna brasileira, tendo sua obra recentemente prestigiada na exposição individual “Esperar que a letra se forme”, exibida no Instituto Tomie Ohtake até fevereiro deste ano. A artista suíça, de família judaica, que radicou-se no Brasil na década de 1950 para fugir da perseguição antissemita, desenvolveu aqui uma produção artística que dialogava com a Poesia Concreta e diversas vertentes experimentais das décadas de 1960 e 1970, pautando questões relacionadas à linguagem, materialidade e espiritualidade.

 

Esta obra de 1983 pertence ao final da carreira de Schendel, quando ela aprofundou suas investigações em torno da abstração geométrica e minimalista, privilegiando a exploração da superfície pictórica e das qualidades táteis dos materiais. Aqui, a têmpera, com sua opacidade, contrapõe o brilho das folhas de ouro aplicadas nos cantos. 

 

Os triângulos dourados nas extremidades – semelhantes a paspatur – sugerem um enquadramento dentro da própria obra, dando destaque para uma área específica da composição. Por outro lado, um retângulo à direita escapa e se estende para além da delimitação colocada – o que nos insinua uma reflexão sobre limites, fronteiras, o que é centro e o que é margem.

 

Nelson Leirner, Homenagem a Fontana, 1967

“Homenagem a Fontana” é uma obra de grande significado para a Zipper, uma vez que esta inspirou o nome da galeria pela sua materialidade. A peça, como o título indica, é uma homenagem de Nelson Leirner (1932-2020) ao artista argentino Lucio Fontana (1899-1968), conhecido por suas telas rasgadas e por fundar o Espacialismo. 

 

A obra foi criada como parte de uma série de múltiplos, composta por três versões, e foi premiada na Bienal de Tóquio de 1967. Originalmente, ela era aberta à interação do público e, ao ter seus zíperes abertos, revelava mais camadas internas com diferentes cores e outros zíperes. O caráter lúdico e participativo envolvia o espectador em seu processo de contínua descoberta e transformação da peça.

 

Os Gêmeos, Atomic Love, 2008

Criada em 2008 pela dupla de irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo (1974), conhecida como OSGEMEOS, “Atomic Love” é uma pintura feita a partir do uso de algumas materialidades e técnicas usuais do graffitigrafitti, como o spray. A composição é densamente preenchida e apresenta figuras humanas estilizadas, típicas do tratamento visual da dupla, com corpos alongados, cabeças ovais amarelas e roupas de estampas detalhadas em cores brilhantes. Aqui estão presentes figuras antropomórficas, combinações improváveis entre seres humanos, animais e objetos. O fundo é composto por feixes radiais coloridos que partem de um ponto central atrás de uma figura feminina. Esses elementos em conjunto formam estética onírica e fantástica, quase psicodélica, que caracteriza o estilo inconfundível que fez os artistas dominarem a cena artística pelo mundo.

 

Carlos Cruz Díez, Physichromie, 1755/2012

O venezuelano Carlos Cruz-Diez (1923–2019) desenvolveu ao longo de sua carreira uma pesquisa vanguardista no campo da arte cinética e óptica ao investigar intensamente as possibilidades da cor e das formas geométricas. Ele se debruçou sobre as ideias de “cor em situação”, que se refere à ideia de que a cor não é uma propriedade fixa de um objeto, mas um evento que ocorre na percepção do observador, em função da luz, do movimento e do contexto espacial.

 

A obra “Physichromie” (1755/2012), composta por frisos coloridos dispostos em sequência rítmica regular, se revela plenamente apenas através do movimento do espectador ao seu redor, podendo ser percebida em três diferentes versões: em tons de marrom e ocre, se vista de frente; azul e laranja, se vista à direita; e em roxo, azul e verde, se observada pela esquerda.

 

José Patrício, Superfície Ondulada II, 2006

De longe, uma obra de questões pictóricas, com jogo de sombras e texturas. De perto, 3136 peças de dominó, ordenadas e agrupadas por suas numerações. A obra “Superfície Ondulada II” de José Patrício (1960), artista recifense conhecido por usar centenas de objetos cotidianos em composições geométricas que exploram ritmo e variações tonais, exemplifica sua pesquisa plástica de efeitos ópticos. Influenciado por movimentos como a abstração geométrica e o Concretismo, José Patrício explora com rigor e inventividade o potencial expressivo de estruturas matemáticas, a fim de compreender suas dimensões expressivas e poéticas.