ARTISTA

Bruno Kurru

Bruno Kurru
  • Se formos buscar uma palavra já existente no léxico da história da arte para descrever os desenhos, colagens e pinturas de Bruno Kurru, escolheríamos surrealismo. O trabalho, no entanto, tem uma leveza que não se coaduna com as imagens perturbadoras que marcam o movimento europeu do pós primeira guerra. É preciso sair da Europa, do ocidente, para chegar a alguma palavra que sumarize essas composições feitas de fragmentos justapostos e sobrepostos: a palavra mente se encaixa melhor nessa produção do que inconsciente.

    Misteriosas palavras aparecem espalhadas nas telas de Kurru, como JITA TMA, adaptação para caracteres ocidentais do que em sânscrito significa controle da mente. Não é mais um inconsciente selvagem que jorra imagens na tela, mas é o próprio ato de pintar que conduz a um processo de introspecção, de mergulho controlado em uma mente que, num modelo de anatomia não-ocidental, é conectada ao espírito.

    Signos de iluminação mental, como lâmpadas acesas e livros abertos, são constantes nesses trabalhos, assim como o céu, do mais suave azul, e personagens que trazem na cabeça portas ou olhos a mais. Como na prática do yôga, na qual a repetição de posturas conduz o praticante ao controle e conhecimento de sua mente, signos como olhos, bocas ou pássaros são repetidamente pintados na prática artística diária de Bruno Kurru. A mudança de estado mental, rumo a um estado de iluminação é, segundo as técnicas do yôga e da meditação, um processo construído com perseverança, e os avanços nessa estrada que tem anos-luz de comprimento são medidos em milímetros. Talvez por isso as composições de Kurru usem retângulos pequenos recortados em papéis decorados, figuras humanas minúsculas com as cabeças enterradas em livros e amplos espaços celestiais.

    Também pouco familiar à nossa cultura ocidental é o fato de que essa ascese não implica sofrimento corpóreo. Ao contrário, o corpo é o único canal de comunicação com a mente, e o mundo físico compreende o universo de formas sutis que o estado de iluminação quer apreender. Daí, a faixa de grama, outro signo recorrente nesse trabalho, fincando-nos nesse mundo, e o uso da madeira e parafusos em composições construtivistas que servem de suporte para as imagens delicadas desse artista. A própria cultura urbana é bem recebida nessa ilustração de busca espiritual pós-moderna. Condensação de estados sensíveis, como já disse Matisse.

    Paula Braga, 2010.

  • BRUNO KURRU
    São Bernardo do Campo, Brasil [Brazil], 1984
    Vive e trabalha em [lives and works in] São Paulo, Brasil [Brazil]

    Formação [Education]

    2010-2011
    .Processo criativo I, II e III com Charles Watson [Creative process with Charles Watson]. Instituto Tomie Othake, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2007-2010
    .Vivência em ateliê de Desenho e Pintura e História da Arte com Rubens Matuck [Studio experience in Drawing and Painting and Art History with Rubems Matuck]. São Paulo, Brasil [Brazil]

    2007
    .Gravura em Metal e Madeira [Wood and Metal Engraving]. Museu Lasar Segall, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2003-2006
    .Design com ênfase em Programação Visual [Design with emphasis on Visual Programming]. Universidade Bandeirantes, São Paulo, Brasil [Brazil]

    Exposições Individuais [Solo Exhibitions]

    2015
    .Potência de Deslocamento, Elefante Centro Cultural, Brasília, Brasil [Brazil]

    2013
    .Temporada de Projetos. Paço das Artes, São Paulo, Brasil [Brazil]  

    2012
    .O Ser, Como Meta. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil [Brazil]

    Exposições Coletivas [Group Exhibitions]

    2015
    . Ondeandaaonda, Museu Nacional da República, Brasília, Brasil [Brazil]
    .Quero te encontrar, La Maudite, Paris, França [Frace]
    .WebArte.br, Sesc Jundiaí, São Paulo, , Brasil [Brazil]

    2014
    .O que seria do mundo sem as coisas que não existem?, Trienal de Artes Frestas -Sesc Sorocaba, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2013
    .Temporada de Projetos. Paço das Artes, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2012
    .Eu fui o que tu és, e tu serás o que eu sou. Paço das Artes, São Paulo, Brasil [Brazil]
    .Projeto Imaterial, FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, Centro Cultural Fiesp, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2011
    .36º Salão de Arte de Ribeirão Preto. Museu de Arte de Ribeirão Preto, Brasil [Brazil]
    .Silêncio. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil [Brazil]
    .Próximo Olhar. Cavalera Art Projects, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2010
    .Do Outro Lado. Espaço Manabu Mabe, Embaixada do Brasil, Tóquio [Tokyo], Japão [Japan]
    .Transfer. Pavilhão das Culturas Brasileiras, Parque do Ibirapuera, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2009.
    .Chaves e Portas. Espaço +Soma, São Paulo, Brasil [Brazil]
    .Brazil Illustrated. Gallery 32, Londres [London], Inglaterra [England]

    2008
    .Os Brasileiros. Carmichael Gallery of Contemporary Art, Los Angeles, EUA [USA]

    2007
    .Volta às Aulas. Galeria Coletivo Grafiteria, São Paulo, Brasil [Brazil]
    .TMDG. Trimarchidg, Mar del Plata, Argentina
    .Urban Art Daslu. Galeria Daslu, São Paulo, Brasil [Brazil]

    2006
    .De Passagem. Espaço Cidadão do Mundo, São Paulo, Brasil [Brazil]
    .Conexão Vista. Afrospot, São Paulo, Brasil [Brazil]
    .O Novo Muralismo Latino-americano. Galeria Marta Traba, Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil [Brazil]

  • exposições

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